terça-feira, 13 de maio de 2008

O último dia.

Adeus, seja lá quem você for.

Não sei qual será o destino desta página.

Será que alguém vai entrar nesta página nos próximos dias?

O que pensará quando entrar aqui depois de meses e perceber que foi abandonada?

O que vai pensar da pessoa que escreveu?

Você já leu alguma página de alguém que já morreu?

As últimas palavras que esta pessoa teve em vida?

Pois bem. Depois desta mensagem, talvez eu morra.

Isto mesmo.

E pior.

Talvez você também morra.

Escutei uns colegas no trabalho discutirem hoje.

Falavam a respeito do acelerador de partículas que estão construindo na Suíça e do medo que estavam do negócio. Diziam que o negócio iria gerar buracos negros incontroláveis e iriam engolir o planeta.

E isso iria acontecer em agosto.

Sendo assim, o mundo acaba em agosto.

Então eu não vou mais perder tempo com blogs.

Você merece aquilo que você acredita.

Já não me lembro quem me disse isso, mas parece fazer mais sentido agora.

Eu prefiro acreditar que será o fim.

E algo me faz crer que é melhor assim.

E sabe da melhor parte?

Sabe aquela mulher que aparece em meus sonhos?

Eu tenho motivos para achar que ela existe de verdade.

Ainda não posso dizer quais são estes motivos, mas direi se encontrá-la.

Mas agora, nada mais importa.

Adeus blog.

Adeus computador.

Adeus Fundação.

Adeus trabalho.

Adeus leitor.

Adeus amigos.

Vou finalmente viver algo que nunca vivi.

Se alguém procurar por mim, escreva para:

reflexosdemimmesmo@gmail.com

Alguém estará recebendo minha correspondência.

Se alguém apresentar algum livro proibido para você, leia.

Vale a pena.

E se alguém falar de algum jogo, participe.

Pena que eu não pude explicar detalhadamente o que aconteceu.

Mas talvez outra pessoa faça isso.

Procure.

Investigue.

O desertor nunca vence.

E o vencedor nunca desiste.

E lembre-se de que tudo é um ciclo.

Talvez eu volte.

Mas se voltar, tudo será diferente.

Eu tenho um plano e ainda não pude falar nada a respeito.

Caso se interesse, mande-me um e-mail.

Mas, no momento,

Eu desisto.

De tudo.

Para poder vencer.

Viva o Gimnosofismo!

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Persuasão.


Voltei.

Ainda vou ficar mais alguns dias.

Mas não sei exatamente quantos.

Mas já que vou embora, deixo para trás minhas últimas perguntas.

Qual é a coisa mais importante que existe em sua vida?

Aquilo sem o qual nada mais faz sentido?

O que é mais importante?

O poder do argumento ou o da persuasão?

Pense em todas as atrocidades já feitas em nome de governos e religiões tiveram o aval da maioria.

E pense em todas as coisas erradas que você vê acontecendo e fica quieto.

E depois se pergunte em que você acredita.

E por que você acredita nisto.

E pense em como essa crença veio parar em sua mente.

E lembre-se como foi até aqui. Para tudo o que você aprendeu.

E depois pergunte-se mais uma vez.

Qual a finalidade disto tudo?

E me diga você.

Por que eu escrevi este blog?

Qual foi meu intuito?

Senhor Lúcio, se achas que algum momento eu pude supor que sabia algo além do que estava dizendo, desculpe-me.

Talvez eu não tenha sido claro...

Se pareceu o contrário, desculpe-me...

Mas eu não sei nada.

Nunca soube.

E nunca vou saber.

E até onde eu sei...

Você também não sabe.

E se estou errado, prove-me.

Gostaria de poder aprender algo com alguém.

Quem que que seja esta pessoa.




Foram 32 postagens.

A próxima será a última.

Morro aos 33.

Irônico, não é?



Pax.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Mudanças.

Metamorfoses. Transformações.

Comecei esse blog totalmente sem nenhuma pretensão.

Muito do que você leu aqui funcionou como terapia para mim.

Muito disso fez parte de um experimento comportamental também.

Mas hoje, pensando bem, não sei qual foi o benefício disto tudo.

O que eu sei, no final das contas?

Ainda tenho muito a aprender.

Mas conheci muita gente interessante.

Meu amigo Francisco está escrevendo uma história sobre as coisas que ele tem visto em seus sonhos. Faz parte de uma terapia para ele também.

Estou acompanhando a história que ele está escrevendo, que por sinal estou achando fabulosa. Estou percebendo tantas metáforas que estou realmente surpreso. Não sei o que exatamente ele tinha em mente, mas posso dizer que estou achando a trama extremamente interessante.

Ao longo desses dias em que escrevi fui acrescentando alguns endereços que chamei de “Literatura Proibida”. Estão todos aí na barra ao lado.

Tem o meu amigo Raoul, que mora em Amsterdã e começou a escrever um blog muito diferente do que estou acostumado a ler. Tem também o Ernesto, Gimnosofista, que conversou bastante comigo por e-mail, apesar de não ter atualizado a página dele. A conversa foi realmente interessante.

Viceroy, que escreve textos muito bons.

Paule, o anarquista. O rapaz é uma metralhadora de idéias. Se ele souber para onde apontar essa metralhadora, poderá fazer um dia um estrago considerável.

E sem falar de Giuzeppe Coalhada, o qual eu realmente gostaria de manter contato, mas que não sei como contatar.

E nos últimos dias, Catharina Moura, da qual eu ainda tinha muito o que aprender a respeito...

Mas eu acho que vou ter que abandonar tudo isto.

Vou ter que parar de escrever.

Motivos de saúde.

E também profissionais.

Talvez eu poste mais alguma coisa antes de viajar.

Vou ficar talvez mais de um mês ausente.

Para onde vou, não terei acesso a nenhum veículo de comunicação.

Portanto, se vocês não mais me verem,

Adeus.

Talvez um dia eu volte.


E para não deixar de ser clichê,


Foi bom enquanto durou.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

A história do príncipe e do empurrãozinho.

Essa história é dedicada a alguém muito especial.

E você, quando ler isto, vai saber do que estou falando.

Esta história não fui eu quem escreveu. E também não sei quem escreveu...

Só sei que li em algum lugar.

Um príncipe estava completamente bêbado. E no meio da bebedeira, vociferando absurdos, clamou:

_Quem pular no meu lago cheio de crocodilos e conseguir sair de lá vivo, pode ficar com esse castelo!

Olhares foram trocados em toda a festa. Não riram por que era o príncipe. Mas é claro que ninguém iria tentar... E o príncipe continuou.

_Ah, é assim! – Continuou. – Então ta. Quem fizer isso pode ficar com todas as minhas mulheres! – Disse ele apontando o dedo para umas mulheres que estavam sentadas, que olharam assustadas.

E é claro, ninguém mais disse nada.

_Tudo bem então. Então eu vou falar pela última vez. Quem fizer isso pode ficar com meu título de nobreza. E também com todas as minhas posses.

E eis que um homem, desconhecido por todos aparece lá embaixo. E todos olham assustados. E ele luta bravamente com os crocodilos. Abre a boca de um, chuta a cara de um outro, sangra e rasga e pula e luta e enfim, consegue sair lá de baixo.

E todos aplaudem, ensandecidos.

O príncipe não acredita. Havia perdido tudo. Olha para o homem, todo sangrando, molhado, ofegante e pergunta.

_Como foi capaz de fazer isso? Foi a vontade de ter o meu título que fez com que você conseguisse tudo isso?

_N-não... – Disse o homem, ainda ofegante.

_O que foi então? É o meu dinheiro que você quer?

-T-também não! – Disse, puxando forte o ar.

_Então o que? O que você quer? – Pergunta o príncipe, aflito.

Silêncio enquanto ele recobra o fôlego.

Enfim, ele diz:

_Eu quero descobrir quem foi o desgraçado que me empurrou lá embaixo!

XXX

Pois é.

Na vida, a gente é capaz de fazer coisas que a gente nunca imaginou.

Só precisamos de um empurrãozinho.

É o que dizem.

Por que sonho que se sonha só é só sonho que se sonha só. Mas sonho que se sonha junto é realidade.

Mas eu nunca sonhei nada com ninguém.

Então tudo não passa de mais uma enorme mentira.

E vivo me auto-iludindo.

Eu precisava de um empurrãozinho.

Estou a ponto de desistir.

De tudo

terça-feira, 29 de abril de 2008

Cabras não têm grandes ambições.

Mas que droga!

Eu não nasci para ser cabra.

Bem que eu queria. Viver feliz, atrás de uma cerca, mascando, mascando, mascando e cagando.

Vez por outra procriar, cagar novamente e mascar. Não necessariamente nesta ordem.

Mas não. Alguma coisa inquieta meu espírito desde que nasci.

Vi em algum lugar da televisão que existe uma espécie ovovivípara de tubarão no litoral africano que mantém os filhotes dentro de si antes de soltá-los para o meio. Antes de nascerem, eles já estão em guerra entre si, com irmãos matando uns aos outros. Morrem todos, e só sobra um. O assassino melhor selecionado de todos.

Eu acho que eu sou assim. Eu deveria ser muito egoísta quando era criança... Aliás, ainda sou... Mas devia ser pior...

Eu vejo as crianças de hoje. São animais extremamente cruéis.

Eu acho que um empurrãozinho de nada do meio ambiente já é suficiente para fazê-los matar uns aos outros.

Em uma das minhas lembranças de infância, lembro-me que briguei na escola um dia. Não sei o por quê. Mas devo ter apanhado muito, pois sou muito fraco. A única coisa que me lembro é a imagem do homem que varria a escola.

Era um homem alto, muito alto, com uma barba branca imensa que chegava até o peito. Ele ficou olhando tudo acontecer e quando acabou, aproximou-se de mim. Eu chorava e estava com muita raiva. Ele disse:

_Isso é realmente necessário?

Olhei para ele sem saber o que responderia. Ainda soluçava de ódio.

_É necessário que isso aconteça? – Perguntou de novo.

Continuei sem responder. Ele então levantou o tom de voz, perguntando, com mais firmeza:

_E você! – apontou-me o dedo. – É necessário que você exista?

Comecei a chorar mais ainda.

_Pense sobre isso. – Disse com uma voz muito firme.

Nunca mais vi esse homem. Mas já era velho naquela época, já deve ter morrido.

E eu não sei por que eu me lembrei dessa história se era de cabras que eu estava falando.

E não sei por que nasci para querer ajudar a querer consertar o que não pode ser.

Eu nasci com a maldição da consciência. Agora, nunca mais serei feliz como uma cabra.

É melhor viver feliz em ignorância ou no pesadelo da lucidez?

É melhor reinar no inferno ou servir no céu?

Não sei.

Felizes são as cabras.

Mas pensando bem, acho que aquela mulher tinha razão.

E quando tudo está acabando, você percebe melhor as coisas.

sábado, 26 de abril de 2008

O segundo sonho.

Tive mais um sonho daqueles, com história, começo meio e fim.

Eu estava deitado em minha cama, e ao meu lado estava aquela moça que aparece em meus sonhos e sorri para mim.

Vergonhosamente perto de mim, a olhar para o teto e sorrir.

Viciosamente, viajo em seu rosto admirando cada milímetro de sua pele macia. Seus olhos esmeralda fitam alguma coisa invisível no teto. Seus cabelos castanhos espalham-se pelo lençol, parte deles sobre mim.

E parece que eu já a conheço há muito tempo e conversamos como se já tivéssemos conversado antes inúmeras vezes.

E ela me pergunta, com sua voz macia, quase infantil:

_Se você fosse um animal, qual seria?

E com uma naturalidade que só acontece nos sonhos surreais eu respondo:

_Não sei, talvez um herbívoro.

_Por quê? – Ela me pergunta com olhar de pena, como se eu tivesse escolhido alguma coisa ruim.

_Por que assim eu não teria que matar ninguém para ter que sobreviver. – Respondo.

_Cabras, vacas e carneiros não tem graça nenhuma. – Diz a moça. – Eu queria ser um gato. A vida de um gato é muito mais emocionante que a vida de uma cabra.

_Mas gatos são assassinos por natureza! – Respondo.

_E daí? – Ela pergunta rindo. – Quem é que sabe realmente o que é errado afinal? Com tanto sofrimento no mundo, que mal existe na morte? Tem coisa muito pior para se fazer do que deixar de comer carne.

E continuou rindo, olhando para o teto.

E eu quis que aquele momento durasse para sempre, mas fui aos poucos acordando e percebendo que tudo voltava para a mesma solidão normal de todos os dias.

E não sei por que sinto isso. Ou por que sonhei isso.

Acho que é por que vi que algum amigo meu participava de uma comunidade no orkut chamada “cabras não tem grandes ambições”.

Devo ter ficado com isso no meu subconsciente.

Droga de subconsciente.

Preciso terminar logo o que eu tinha para fazer.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Insone lucidez.

Todo dia eu me pergunto um milhão de coisas.

Até aquelas que eu já perguntei ontem e sei que vou continuar perguntando amanhã, mesmo sabendo que não vou conseguir responder.

E nos últimos dias, a pergunta que mais me aflige é “que diabos está acontecendo comigo?”

Vou ser mais honesto contigo.

Dizer mais sobre mim.

Sinto que preciso.

Sinto que, se acontecer alguma coisa comigo, eu preciso de um lugar que guarde, ainda que ínfima, uma parte da minha memória.

Se não fui claro, houve motivos.

Comecei a escrever essa página sob orientação médica e científica.

No começo pensei que realmente fosse me ajudar. Hoje, não sei.

Eu havia acabado de ler um livro. Um livro que me tocou como nunca. Um livro que tomou minha mente. E já não conseguia pensar em outra coisa.

Tentei escrever algo a respeito, mas desde que comecei esse blog, não tenho tido tempo para mais nada.

Comecei a escrever um livro.

Mas só consegui escrever 8 páginas, em papel A4, espaçamento duplo.

E para atrapalhar mais ainda, ainda tinha o Jogo.

Mas o pior de tudo eram os sonhos.

Os sonhos pioraram cada vez mais.

E hoje estão insuportáveis. Já faz um tempo absurdo que não consigo dormir. Tenho sonhos acordado que não sei se são sonhos, pois estou cansado demais para perceber.

Vejo mendigos por todos os lados. Sorriem para mim.

E tem aquela moça.

Que aparece sorrindo.

E cujo rosto, eu nunca antes havia visto.

Ela parece um anjo.

Mas não diz nada.

Apenas olha para mim.

E sorri.

E hipnotiza-me.

E cá vou eu, intrometer-me em meio aos meus lençóis mesmo sabendo que o sono nunca virá, e se vier, será pior.

Mas o que me conforta é saber que está acabando.

Boa noite.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Se você me visse.

Se você me visse, veria um homem magro, óculos profundos.

Obviamente não sou a foto em preto e branco do meu blog.

Nem ninguém que você realmente conheça. E se você me encontrar e me perguntar se eu estou escrevendo esta página, direi que não. Assim nunca terás prova de que sim e nem de que não.

Portanto, se você acha que pode me conhecer, tire isso da cabeça. É mentira.

Não sou em preto e branco e tampouco a pessoa da foto. Um doce para quem acertar quem é.

O ponto de vista é o ponto da questão.

Não sei como a maioria das pessoas me vê, mas tenho impressões.

Não sou de muitos amigos. E todos eles estão no Orkut. Converso com alguns.

Alguns escrevem em blogs. Alguns são interessantes.

Mas se você me visse, nunca iria imaginar o que é que se passa em minha mente. Iria apenas perceber a presença de um homem pequeno, encolhido na poltrona de sua melancolia e ainda que poeticamente isso soe perfeito, na prática é bem normal.

Hoje em dia todo mundo faz isto.

As pessoas que sorriem são falsas. Os tapas nas costas dos amigos são irônicos.

Os sorrisos expressam apenas sarcasmos.

Eu sei que eles fazem piadinhas sobre mim. Sobre como sou magro. Como sou pequeno. Como sou estranho. Brincam dizendo que sou terrorista, apenas por causa da minha barba comprida.

O que é que eles sabem sobre terrorismo?

O que é que você sabe?

Alguns pensam que eu me drogo.

Nenhum deles entende por que é que nunca tive uma namorada.

Por que é que eu tenho que ter uma namorada?

Mas no fundo, se você me visse, não iria entender nada.

Da mesma forma como eu não entendo.


E tento todos os dias.

Acordo e olho para o espelho.


E só vejo você me olhando de volta.





Seja lá quem você for.

Mas o que eu tinha para fazer aqui já está quase no fim.


Não nos veremos por muito tempo.

sábado, 19 de abril de 2008

Uma resposta.

Beatriz Vernitz um dia me perguntou

“Se existisse alguém SUPERIOR, você acha que ele teria feito um livro?


E porque ele surgiu assim do nada??

E os povos anteriores ao surgimento do livro?


A Biblia é só mais um livro de ficção que deu certo...

A diferença é que todo mundo passou a acreditar nele!”

Eu respondi:

“Se você procurar bem verá inconsistências em todo o tipo de conhecimento humano.


Além disso, o que faz as pessoas passarem a acreditar em algo? Para alguns, qualquer coisa. Para outros, quase nada. Para a maioria, tanto faz.”

Então conheci Rebeca Werner, que me disse que “Era importante acreditar em algo” e que “Você merece aquilo que você acredita”.

No começo eu confundi as duas, pensando que uma era uma e uma era a outra, mas desfeita a confusão, vai aqui minha resposta para Rebeca Werner. Pelo menos o começo dela.

OK, Rebeca. Eu acredito no mundo das idéias. Eu acredito no mundo das minhas idéias. Eu acredito que existe um universo dentro da minha mente. O que existe fora da minha mente?

Sensações.

Percepções limitadas por apenas cinco sentidos. E meus sentidos são fracos. Extremamente limitados. Enxergo pior que muitos insetos. Meu olfato é uma vergonha para os mamíferos.

E pior. Sou controlado por minhas sensações. Elas tomam conta de mim. Procrie, brigue, mate, roube, ame e tome.

Exatamente como faziam meus ancestrais.

E hormônios. E transtornos obsessivos e compulsivos. E vícios. E depressões.

Tudo isto representa o controle que o mundo natural tem sobre mim. O mundo das minhas idéias é bem diferente.

Eu não sou aquilo que você acha que eu sou.

Mas você é aquilo que eu acho que você é.

Você é aquilo que alguém que não te conhece acha que é.

Você não é só o que você pensa.

Nem o que eu, ou qualquer outra pessoa possa pensar.

Como vê, eu acredito em algo.

E isto é o começo.

E tem a ver com o Livro que eu li.

E não é esse livro que seu amigo disse que escreveu.

Por que esse livro também não foi escrito por ele.

E tem a ver com um jogo que existe por aí.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Jogadores.

Já ficou deitado na cama, olhos abertos, sem conseguir se mexer? Isso aconteceu comigo hoje. Fiquei muito tempo assim, sem saber por que. Foi então que me esforcei muito, e consegui. Levantei-me, fui até a porta do quarto, virei-me e olhei para a cama. Lá estava, eu mesmo, ainda deitado na cama.

Gelei e acordei assustado. Fui caminhando para o trabalho hoje, preciso começar a fazer exercícios. No caminho, tive a nítida sensação de ter alguém me observando. Algumas vezes, olhei para ver o que era e não havia ninguém. Pode parecer absurdo, mas posso jurar que em uma dessas vezes eu vi alguém que se parecia muito comigo, pelo menos de costas, virando uma das esquinas...

Mas é claro, quem é que acreditaria, tampouco eu acredito. Não sei nem por que estou escrevendo sobre isto. Aliás, nem sei por que é que estou escrevendo neste negócio de blog. E já faz talvez um mês. Mas já parecem séculos. Ao mesmo tempo que parecem segundos.

E tem mais.

Fiquei sabendo que existe alguém por aí fazendo-se passar por mim. Usando minhas fotos. Conversando com pessoas e dizendo que sou eu.

Teve um que teve a cara de pau de espalhar boatos para seus amigos que era ele quem estava escrevendo minha página. Recebi um e-mail de uma dessas pessoas. Tratava-me como se me conhecesse.

É mentira. Eu não sou um personagem fictício que seu amigo disse que inventou. Ele está tentando se apoderar de palavras que não saíram de sua mente.

Essa pessoa que você conhece é na verdade um Anarquista Intelectual.

Mas é um mentiroso.

Não foi ele quem escreveu.

Ele acha que pode apropriar para si idéias dos outros, só por que acha que concordou.

E o pior é que ele irá te dizer que foi ele quem escreveu isto, apenas para testar sua credulidade.

E você nunca conseguirá provar.

E vai se sentir tão ridículo perguntando pra ele se é ele mesmo quem está escrevendo que não dirá nada.

E ele continuará a te manipular.

Pois ele é um jogador.

Um manipulador.

Cuidado com os jogadores.

Até mais.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Presente.


“A vida humana não passa de um sonho. Mais de uma pessoa já pensou nisso. Pois essa impressão também me acompanha por toda a parte. Quando vejo os estreitos limites onde se acham encerradas as faculdades ativas e investigadoras do homem, e como todo o nosso trabalho visa apenas a satisfazer nossas necessidades, as quais, por sua vez, não têm outro objetivo senão prolongar nossa mesquinha existência; quando verifico que o nosso espírito só pode encontrar tranqüilidade, quanto a certos pontos das nossas pesquisas, por meio de uma resignação povoada de sonhos, como um presidiário que adornasse de figuras multicoloridas e luminosas perspectivas as paredes da sua cela... tudo isso, Wilhelm, me faz emudecer. Concentro-me e encontro um mundo em mim mesmo! Mas, também aí, é um mundo de pressentimentos e desejos obscuros e não de imagens nítidas e forças vivas. Tudo flutua vagamente nos meus sentidos, e assim, sorrindo e sonhando, prossigo na minha viagem através do mundo.”

(Goethe)

“Por que é importante acreditar em algo?

Porque se você não acredita você fica sem nada. Solto no espaço, sei lá... é assim que eu me sinto. Se você não acredita em nada você fica triste, porque não acredita em nada. Quando você tem uma convicção é como se a vida fizesse mais sentido. Você pensa "ahh, então é pra isso que eu tô aqui, vamo lá então!".

Se você não acredita não funciona, é só isso. “

(Beatriz Vernitz)

Recebi estes versos de presente de uma amiga minha.

Postei-os apenas para reflexão.

Ainda estou pensando sobre tudo isso para poder ter alguma opinião e discutir a respeito...

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Eu queria...

Eu queria ser alguém que acha que vale à pena acreditar, não refutar tudo.

Que acredita e tem esperança, ainda que pense que perdeu toda a esperança que tinha.

Que persiste ainda que continue devagar, que não desiste, continua.

Eu queria perceber nos dias não só suas aflições, mas também suas graças, seu aprendizado.

Eu queria acreditar menos no que os livros dizem...

Ah! Seria tão bom acreditar nas pessoas e sobretudo em Deus!!!!!

Eu queria saber perdoar.

Eu queria não condenar a mim mesmo. Eu queria tolerar meus defeitos e o das outras pessoas.

Eu queria entender o que eu sinto, e saber ser egoísta na medida certa.

Eu queria aprender a amar e deixar as pessoas felizes.

Eu queria não gostar de deixar os outros tristes, e que todas as minhas vilezas fossem sem querer.

Eu queria ser atemporal, acreditar que ninguém é velho ou novo demais, considerar a todos com o mesmo respeito.

Eu queria achar graça nas coisas. Até mesmo naquilo que não tem graça nenhuma.

Eu queria entender por que eu sinto ódio de mim. Por que tenho vontade de matar. Por que meu egoísmo me permite matar a todos, menos a mim.


E ainda queria saber afastar todas as minhas irritações, minhas tristezas e minhas desilusões, e entender que tudo passa, e que se tem coisa melhor pra sentir.


Eu queria adorar a viver.

Eu queria ser normal, mesmo que para isso eu não precisasse pertencer a nenhum outro grupo de pessoas. Eu queria ser normal sempre, não para isso ou aquilo.

Eu queria aprender a entender sabedoria popular.

Eu queria saber inventar as coisas, sem precisar que ninguém precisasse me ensinar nada. Eu queria saber organizar minhas idéias.

Eu queria me contentar com pouco e ainda assim conseguir ser idealista. Eu queria saber me divertir.

E eu queria querer continuar como eu sou, não ficar toda hora de saco cheio da carapaça antiga e querer mudar aquilo que sou.

Eu queria ter uma velha opinião guardada sobre tudo, para que não precisasse mudar o que acho a cada instante e viver feito um doido preso em um manicômio dentro de mim mesmo.

Eu queria...

Mas alguma coisa me impede.

E sempre me leva de volta.

Para o mesmo lugar.

E ainda estou tentando entender por quê.

Eu queria...


Mandar um abraço para meus amigos Raul Seixas, Fernando Pessoa e Rebeca Werner, pela inspiração neste post.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Beatriz Vernitz

Conheci uma pessoa muito interessante. O nome dela é Rebeca Werner, mas talvez já tenha sido Beatriz Vernitz, mas não sei por quê. E vivia com esses problemas de crise de identidade, pois se você pedisse para ela dizer quem ela era, ela diria que não sabia, admitindo já de início não reconhecer sua própria identidade. Mas diria ainda que qualquer outra pessoa poderia responder, por pensarem que a conhecem. Ela é uma entidade desconhecida por todos e até para si mesma.

Gosta de livros envolventes, principalmente a série Sandman... Mas sua paixão mesmo é música, em particular musicais. Daqueles com mensagens bonitas que nos fazem refletir sobre o quão bonita a vida é.

Gosta de parecer diferente, ainda que os amigos não entendam por que ela faz isso.

E mais. Rebeca Werner tem um segredo. Ela possui superpoderes. Rebeca Werner tem apenas 16 anos de idade mas já desvendou todos os enigmas ligados à existência do ser humano. Ela domina o conhecimento da moral universal, que nada mais é que apenas um reflexo de seus mais internos anseios.

E mais! Essa divina criatura possui até privilégios no mundo digital, pois conseguiu que o orkut permitisse que ela fizesse parte, mesmo que fosse proibido a todas as outras pessoas menores de 16 anos.

Mas tem mais ainda. Eu descobri várias coisas. Vários postulados. Tudo o que eu tenho que fazer é aprendê-los para que possa ensinar para o resto do mundo. Entre as coisas que aprendi com esse distinto ser constam:

1- Neil Gaiman é muito melhor e mais interessante que Freud e Jung.

2- É necessário acreditar em algo.

3- Você é merecedor do que acredita. (enigmático este, não?)

4- Fornicação é errado.

5- A morte é absoluta.

Ótimo! Estou tentando entender essas daqui, mas percebo que tenho muito mais a aprender... Espero sinceramente que ela me responda, pois não entendi muita coisa do que ela disse até agora... Não parece fazer muito sentido para mim... Mas ainda tenho muito a aprender com Rebeca Werner.

E tem mais!

Ela é real.

E eu gostei de conversar com ela.

Abraços, Rebeca.

domingo, 13 de abril de 2008

Os comentários desta página.

Você começou a ler as coisas que escrevi e uma das coisas que te prendeu aqui foi uma curiosidade quase mórbida em querer descobrir que estou escondendo alguma coisa muito ruim sobre mim. No fundo, queria que fosse assim, apenas para saciar um desejo bizarro de ver coisas estranhas. Algo diferente do que você acredita que esteja dentro dos padrões normais de comportamento humano.

Mas por que você se importa tanto com isso? Teve uma pessoa, outros desses malucos que postam comentários neste blog, que assinava apenas “--{@”, e que disse que a sanidade é uma utopia e que preferia que eu não me identificasse... No fim das contas, você parou para refletir sobre a real necessidade de saber a identidade do autor das coisas que lê? No fim das contas não é tudo uma mistura única de tudo aquilo que humanos fizeram ao longo desse tempinho que estão por aí? Existe algo realmente relevante?

Mas sem desviar demais do assunto principal, foi mais ou menos neste post que surgiu a pessoa mais estranha de todas até então. Pelo menos a única que pude realmente identificar. O nome dessa pessoa é Beatriz Vernitz. Eu queria saber mais sobre essa pessoa. Ela talvez esteja lendo isso agora, ou talvez tenha simplesmente abandonado a leitura e nunca vai saber que escrevi sobre ela.

Ela disse que achava que eu estaria em uma crise e queria contar algo, como se eu estivesse com problemas. Confessou ser uma desocupada, que perdia tempo lendo blogs anônimos em noites de feriado... Falou também de um amigo invisível que ela teve... Um rato. Teve até um engraçadinho anônimo que brincou com essa história... Mas talvez não seja só isso. Talvez essa pessoa esconda algo que nem eu, nem nenhuma das pessoas que perde tempo lendo esse blog possa imaginar.

Depois teve um outro brincalhão que disse que eu estava precisando encontrar a Jesus. Deu até o endereço: Rua Apocalipse, nº666Bairro: Paraíso. É tamanha originalidade que fiquei impressionado.

Pior que esse cara só um outro anônimo que comparou a vida com o ato de defecar. Começa com um ato de expelir. Uma sensação única e maravilhosa. Logo tudo vai ficando maior e cada vez mais gostoso!Na hora em que está pra acabar, você sente aquele cheiro fétido, se limpa, olha para privada e vê que tudo não passou de uma grande merda.

Esse anônimo mudou a minha vida. Nunca mais caguei do mesmo jeito que antes. Fiquei me perguntando quem é que seria esse ser. E continuo me perguntando quem são todos vocês, se é que vocês existem...

Surpresas no próximo post.

sábado, 12 de abril de 2008

Oniromancia.

Oniromancia. É o nome dado à previsão do futuro pela interpretação dos sonhos. Tem grande credibilidade nas religiões judaico-cristãs: consta na torá e na bíblia que Jacó, José e Daniel receberam de Deus a habilidade de interpretar os sonhos. No Novo Testamento, São José é avisado em sonho pelo anjo Gabriel de que sua esposa traz no ventre uma criança divina, e depois da visita dos Reis Magos um anjo em sonho o avisa para fugir para o Egito e quando seria seguro retornar à Israel.

Na história de São Patrício, na Irlanda, também figura o sonho. Quando escravizado, Patrício em sonho é avisado de que um barco o espera para que retorne à sua terra natal. No Islamismo os sonhos bons são inspirados por Alah e podem trazer mensagens dininatórias, enquanto os pesadelos são consideradas armadilhas de satã.

Filósofos ocidentais eram céticos quanto ao tema religião e sonhos, por alegarem que não haveria controle consciente durante os sonhos, mas estudos recentes analisando movimentos dos olhos (REM) durante o sono mostram resultados cientificamente comprovados com sonhos lúcidos, que se contrapõem às teorias anteriores.

Pensadores e matemáticos como René Descartes e Friedrich August Kekulé von Stradonitz também tiveram em sonhos visões reveladoras. Em 10 de Novembro de 1619 Descartes em viagem à Alemanha teve uma visão em sonho de um novo sistema matemático e científico. Kekule propôs em 1865 a fórmula hexagonal do benzeno após sonhar com uma cobra que mordia a própria cauda.

Sabe o que é pior disto tudo? Meus sonhos estão começando a acontecer. Coisas que sonhei e já tinha até me esquecido que havia sonhado com elas. Quando elas acontecem, eu me lembro imediatamente. Isso sempre aconteceu comigo... Deja vu. Mas agora está ficando quase insuportável. Coisas que eu nem sonhei de noite, mas que imaginei durante o dia, enquanto fazia outra coisa...

Esses dias sonhei que meus pais haviam me jogado para fora de uma janela e que eu caía e caía até sentir um peso no peito horroroso. Depois vi a notícia da menina que foi jogada, talvez pelos pais, da janela de seu apartamento e numa bizarra associação, senti ânsia de vômito. E olha que eu nunca me impressiono com histórias assim, por mais bizarras que possam parecer...

E tem também aquela terrível sensação de estar sendo observado. De ter alguém nas costas, mas não conseguir olhar para trás. Arrepios, do nada, mesmo sem frio. O tempo inteiro. Principalmente quando estou na rua. Mendigos. Vejo em todos os lugares. O tempo inteiro. Parecem me encarar. Parecem me conhecer. A sensação é horrível. Parece que estou vivendo agora o que já me aconteceu antes.

Eu fico o dia inteiro com a sensação de que preciso lembrar-me de algo, mas nunca sei o que é. Agora imaginem se um dos meus sonhos um dia se tornasse realidade. Eu descobrisse que tinha a capacidade de fazer premonições... Será que eu seria capaz de mudar o curso das coisas? Ou estaria tudo predestinado a acontecer, eu pudesse ser testemunha do futuro no passado, mas nada pudesse fazer para mudar o que eu vi? Sei lá. Acho que estou assistindo a muitos filmes. Até mais.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Super Heróis.

Outra coisa sobre mim: Cresci nos anos oitenta. Assistia He-Man e caverna do dragão. Fui alimentado pela indústria dos sonhos da televisão. Acreditava piamente que um dia eu me tornaria um herói. Se eu não tinha poderes, um dia ainda teria. Mas aí um dia, aos 5 anos de idade, tentei pular de um muro para me segurar em um galho, assim como o Batman sempre faz e caí, em cima do meu braço. Quebrei.

E quebrei a cara. Foi uma desilusão horrível. Pior que esta só quando finalmente me dei conta, aos 8, que o papai noel realmente não existia. Mas eu ainda queria ser um herói... E como eu não teria super poderes, e nem o dinheirão do Batman para comprar todas aquelas geringonças, precisava de outro referencial... Foi quando descobri... Stephen Spielberg!

Isso mesmo! Indiana Jones! O cara era normal, só tinha uma imensa sorte e um conhecimento imenso de línguas, geografias e história. Mas para ser como ele eu tinha que estudar muito sobre história. Foi quando eu comecei a estudar. E estudava muito, preso dentro de casa, só. E mergulhei em mim mesmo, em minha mente. Até que mergulhei tanto, que deixei de acreditar em mais um dos heróis dos quais haviam me ensinado a idolatrar.

Um tal de Jeová. O Deus. E Deus ta vendo. E Deus castiga. Deus é quem sabe. Ouvi essas coisas a minha vida inteira, e chegou um momento em que elas começaram a me perturbar profundamente. Toda a história do velho testamento é recheada por um tempero de um deus vingativo, pró-guerras. O “Senhor dos Exércitos”. Expulsou Adão e Eva do paraíso por que eles desobedeceram, sendo que ele (pelo menos no Gênesis) nem explicou por que eles não deveriam ter feito o que fizeram. Então temos que obedecer cegamente, sem saber por que?

Eu não sou muito bom neste negócio... Obedecer. Confesso. Mas tem histórias piores. Queimou Sodoma e Gomorra aparentemente por que os carinhas dessas cidades eram pervertidos sexuais... E daí? Até hoje ninguém conseguiu me convencer com qualquer argumento lógico por que é que se deve impor barreiras para controlar o comportamento sexual das pessoas. Salvas algumas exceções, claro, como a pedofilia ou, talvez, a zoofilia.

E teve até um cara (anônimo, como eu) que fez um comentário em uma das mensagens lá atrás, sugerindo que eu podia ter alguma “anomalia” sexual. Ser gay, pedófilo ou até zoófilo. Não vou comentar nada a respeito da minha sexualidade, pois ainda não é o momento, mas não sou nenhuma dessas coisas.

Sou apenas um cara, puto da vida com o fato de ter descoberto que nunca serei um herói. Nunca terei super poderes. Talvez nunca faça nada digno de admiração. Aí eu me pergunto... Valeu a pena eu ter existido? Para ser apenas mais um personagem secundário desta história idiota que este tal de Jeová está escrevendo? E a peça já começou. Não dá mais para mudar de personagem. Só podemos escolher como é que vamos atuar.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Sonhos acordados

Eu vou contar mais uma coisa sobre mim. Sou absurdamente distraído. Perco todos os meus guarda-chuvas. Esqueço nomes de pessoas, caminhos para os lugares. Perco-me nas direções. Tenho dificuldades para saber qual é a minha direita e qual é a minha esquerda.

E o motivo de tudo isso, eu já sei. Eu fico o tempo inteiro pensando. Qualquer coisa, besteiras mil. Mas na maioria das vezes são histórias. Já escrevi em minha mente umas mil versões da história sobre o que eu faria se ganhasse na loteria. Fico inventando filmes em minha mente. Vídeo-clipes. Invento músicas, imagino que estou tocando determinada música, uma hora eu canto, em outra toco bateria e ainda tenho tempo de sair correndo e pegar na guitarra para fazer o solo.

Faço planos enormes, para os próximos 30 anos. Já me imaginei prefeito, governador, presidente, embaixador, presidente geral da ONU... Já imaginei como seria meu programa de televisão. Já idealizei um canal de televisão, uma gravadora na qual só entrariam as bandas que eu gostasse. Imaginei que eu tinha um harém. Imaginei cada uma das 20 mulheres que eu teria. Imaginei detalhes arquitetônicos da minha mansão. Já inventei um bar, um clube, uma escola. Uma reforma educacional para o país. Outra política. E todas faziam um enorme sentido, apesar de saber que nunca dariam certo.

E de tanto imaginar essas mil coisas, na maior parte do tempo eu não estou presente na realidade. Mas isso sempre foi assim, e isso nunca foi um problema tão grande... É claro que já sofri um acidente por que estava desligado enquanto dirigia e já me atrasei por errar os caminhos centenas de vezes... Mas nada disso chega perto das coisas que tem acontecido ultimamente, desde que comecei a ler aquele maldito livro. E o pior é que as coisas pioraram ainda mais desde que comecei a escrever neste maldito blog.

E o pior é que eu não consigo parar. E a minha própria imaginação está ficando cada vez mais real. Tão real, que às vezes eu prefiro não sair de lá, e ficar imerso em meu mundo, que eu construí para mim mesmo, com todos os meus sonhos. Com todas as coisas no lugar, pessoas fazendo exatamente o que eu quero.

Mas aí eu acordo e percebo que tudo é diferente. Eis o presente mais irônico já dado pelos deuses. Tua consciência. Com ela és capaz de brincar de ser Deus. Pode criar um universo inteiro, do jeito como bem entender. Mas jamais poderá esperar que as coisas do mundo concreto obedeçam a seus anseios, por que, na maioria das vezes não obedecem. Às vezes o que elas fazem é contrariar totalmente. Parece até que é de propósito.

E é quando você fica puto com o autor invisível que escreve a história da tua vida. Por que você não queria que fosse assim. Você consegue sempre imaginar um final melhor para a história que ele está inventando, pelo menos quando é você mesmo o personagem. Mas aí você se pergunta... Se os personagens escrevessem a própria história, teria alguma graça?