terça-feira, 29 de abril de 2008

Cabras não têm grandes ambições.

Mas que droga!

Eu não nasci para ser cabra.

Bem que eu queria. Viver feliz, atrás de uma cerca, mascando, mascando, mascando e cagando.

Vez por outra procriar, cagar novamente e mascar. Não necessariamente nesta ordem.

Mas não. Alguma coisa inquieta meu espírito desde que nasci.

Vi em algum lugar da televisão que existe uma espécie ovovivípara de tubarão no litoral africano que mantém os filhotes dentro de si antes de soltá-los para o meio. Antes de nascerem, eles já estão em guerra entre si, com irmãos matando uns aos outros. Morrem todos, e só sobra um. O assassino melhor selecionado de todos.

Eu acho que eu sou assim. Eu deveria ser muito egoísta quando era criança... Aliás, ainda sou... Mas devia ser pior...

Eu vejo as crianças de hoje. São animais extremamente cruéis.

Eu acho que um empurrãozinho de nada do meio ambiente já é suficiente para fazê-los matar uns aos outros.

Em uma das minhas lembranças de infância, lembro-me que briguei na escola um dia. Não sei o por quê. Mas devo ter apanhado muito, pois sou muito fraco. A única coisa que me lembro é a imagem do homem que varria a escola.

Era um homem alto, muito alto, com uma barba branca imensa que chegava até o peito. Ele ficou olhando tudo acontecer e quando acabou, aproximou-se de mim. Eu chorava e estava com muita raiva. Ele disse:

_Isso é realmente necessário?

Olhei para ele sem saber o que responderia. Ainda soluçava de ódio.

_É necessário que isso aconteça? – Perguntou de novo.

Continuei sem responder. Ele então levantou o tom de voz, perguntando, com mais firmeza:

_E você! – apontou-me o dedo. – É necessário que você exista?

Comecei a chorar mais ainda.

_Pense sobre isso. – Disse com uma voz muito firme.

Nunca mais vi esse homem. Mas já era velho naquela época, já deve ter morrido.

E eu não sei por que eu me lembrei dessa história se era de cabras que eu estava falando.

E não sei por que nasci para querer ajudar a querer consertar o que não pode ser.

Eu nasci com a maldição da consciência. Agora, nunca mais serei feliz como uma cabra.

É melhor viver feliz em ignorância ou no pesadelo da lucidez?

É melhor reinar no inferno ou servir no céu?

Não sei.

Felizes são as cabras.

Mas pensando bem, acho que aquela mulher tinha razão.

E quando tudo está acabando, você percebe melhor as coisas.

6 comentários:

Anônimo disse...

..."E quando tudo está acabando, você percebe melhor as coisas."

Essa é uma grande verdade.

Pra que você existe?mikbyvpu

Cathy. disse...

Muito louco, tudo isso.
Isso sim é assunto para uma boa meditação...
Quem te assegura que uma cabra é feliz?
Por mais que minha vida seja triste e pareça sem sentido, eu nunca desejaria ser uma cabra.
Vir ao mundo somente para procriar, mascar e cagar?
Não...
Tudo isso não faz sentido...
Ou será que faz?
Agora estou na dúvida...
Preciso refletir...

Até outro dia...

Rebeca disse...

Cabras não têm noção de felicidade, muito provavelmente. Elas não têm consciência, apenas instinto. Portanto elas não são felizes. Nós também podemos comer e cagar e vez por outra procriar, mas não é isso que nos deixa felizes.
P.S. E é engraçado como as crianças egoístas tendem a se tornar intelectuais inteligentes com argumentos quase irrefutáveis.

Rêver disse...

????????

Anônimo disse...

Para mim, ultimamente, certas crianças, não são gente, nem ao menos merecem ser chamadas de animais, ou egoístas...não são gente.
--{@

SHAKAL disse...

Soa meio Nietzscheano... esse seu fim.

Melhor viver na lúcidez buscando "significado" para as coisas que nos atormentam, do que morrer sem saber